Berna – O que fazer para aproveitar o melhor da capital suíça

Pra começar logo que cheguei, cometi o erro comum de iniciante de confundir Zurique como a capital suíça no lugar de Berna. Quem nunca?? 🙂 Quando finalmente aprendi a verdade, decidi acertar documentando as 10 coisas que diferenciam Berna que qualquer outro lugar da Suíça.

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Mas porque Berna?

Sempre tive vontade de morar fora, aos 15 anos minha primeira viagem internacional foi para o EUA visitar a Disney! Aos 18 queria fazer um intercâmbio, mas esse infelizmente não consegui, crise pegou, e fui ajudar a família. Nunca tinha planejado viver a Suíça, e muito menos imaginaria que ficaria tanto tempo, aliás o tempo passou rápido demais! Esse ano de 2018 estou completando 10 anos que cheguei de gaiata nessa cidade que me conquistou rapidamente. A princípio, vim acompanhada do meu ex-marido, éramos para ficar um período e voltaríamos. Mas tanta coisa aconteceu, entre acertos e tropeços, ele se foi e eu resolvi ficar!

Acho que você não deve criar expectativas para morar fora do Brasil. A adaptação inicial não é fácil, ainda mais aqui que temos que falar alemão, o pouco do inglês que eu falava não servia para muita coisa! A chance de você não gostar e querer voltar é alta. Não porque o Brasil seja melhor, mas é difícil ficar longe da família, dos acontecimentos diários na vida deles, dos amigos de infância e das coisas que você aprendeu a amar.

Quando se mora em outro país, a gente meio que aprende a gostar de outras coisas, pessoas, ter outros gostos, enfim a gente acaba mudando um pouco, o que para muitas pessoas, as vezes, isso não é legal. Então antes de sair por aí dizendo que vai fazer as malas e morar fora do Brasil, permita-se experimentar. Acho que a chance para dar certo está aí. Sem expectativas, a gente se surpreende muito mais e acaba aproveitando muito mais o que um país tem a oferecer.

Então como morar 10 anos em Berna e não falar dela, impossível!!

Então para comemorar esses 10 anos morando na Suíça, mais precisamente em Berna. Quero citar os dez lugares mais incríveis que temos para fazer por aqui. Percebi que existem muitos locais diferentes que proporcionam uma viber muito especial – a vibração de Berna – Seja a cidade velha, a arquitetura única, os muitos museus e restaurantes ou o rio turquesa Aare.

Em suma, há muitas coisas que fazem de Berna para mim o lugar peculiar que é! Então lá vai o Top Ten Bern.

1 – O Rosengarten oferece a melhor vista!

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Berna é construída em uma península e eu aprendi a apreciar os muitos pontos de vista de locais e terraços ao redor da cidade. O  jardim de rosas é um dos parques mais bonitos da cidade de Berna e oferece uma visão única da cidade velha e do Rio Aare. O Restaurante Rosengarten oferece além da bela vista, com suas janelas panorâmicas e grande terraço, e serve especialidades para qualquer ocasião.

2 – As semelhanças de urso por toda a cidade – Bärengraben – Fosso dos Ursos

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Berna é provavelmente a única cidade na Suíça que recebeu o nome de um animal. Diz a lenda que o duque Berchtold V. von Zähringen, chegou em Berna um dia e disse que daria a cidade o nome do primeiro animal que ele caçasse. No caso o bicho desafortunado foi um urso (Bär – que quer dizer Urso em alemão)  que veio a ser adotado como emblema pelo duque e está até hoje no brasão de Berna. Mas eles são uma fofuras! É possível admira-los os 3 ursinhos no novo espaço construído para eles.

3 – Catedral de Berna

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A Catedral de Berna, que também é conhecida como Münster de Berna, é um templo de estilo gótico que está no centro histórico desta cidade na Suíça. Esta catedral data do início do século XV, a partir do ano 1421, e muitas pessoas pensam que é uma espécie de foguete gótico que tem tesouros tanto no exterior como no interior, com suas obras de arte, esculturas e pinturas.

Uma das partes mais bonitas desta Catedral está no lado de fora, acima da porta principal. Há uma representação espetacular do Juízo Final, onde há mais de duzentas figuras esculpidas em madeira e pedra, das quais cerca de 170 são originais do século XV, enquanto as outras 47 são réplicas, sendo os originais no Museu Histórico de Berna.

A torre do relógio desta catedral é de cem metros de altura e é a mais alta da Suíça, sendo visível da maioria da cidade. No topo deste lugar há uma plataforma de observação a partir da qual você pode ver não só o centro histórico e os arredores, mas também os Alpes Berneses; e que pode ser acessado pagando 5 francos.

4 – O poderoso Rio Aare é mais do que apenas um simples rio

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A cor turquesa do Aare tornou-se a parte da cultura de Berna. As águas frias atraem pessoas de todas as idades durante o verão. De fato a verdadeira beleza do rio Aare é que ele é curvado ao redor da cidade velha. Isso permite que os residentes, no verão,  nadem de uma parte da cidade para outra enquanto permanecem no centro da cidade. Tem um post completo do que podemos fazer mais nesse rio incrível no verão. Veja o Guia AARE

O rio é também um local para os esportistas. Além de poderem nadar, é possível caminhar pela borda saindo da Piscina do Marzili até o Camping Eichholz e voltar nadando pelo rio. Ou se quiser ir mais longe vai caminhando pelo Zoológico até a piscina de Muri e voltar novamente nadando,  para os ciclistas é possível pedalar até o aeroporto de Belp, são 18 km mais ou menos só ida (Marzili – Belp).

5 – As arcadas da cidade velha de Berna goza de um status especial

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Foto: bern.com

São seis quilômetros de extensão e não é todo dia que uma cidade inteira recebe o prestigioso título de Patrimônio Mundial da UNESCO. Foi dado a Berna em 1993, e com boa razão também. Com suas arcadas cobertas e becos planejados, a cidade velha medieval de Berna é simplesmente única no mundo. Sendo possível caminhar e fazer suas compras tranquilamente sem se preocupar com mal tempo.

6 – Porque a torre do relógio Zytglogge faz você sempre parar e olhar?

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É uma torre medieval histórica de Berna. Construído no início do século 13, serviu a cidade como torre de guarda, prisão, torre do relógio, centro da vida urbana e memorial cívico. O famoso Zytglogge, o principal relógio de Berna no anos 1500. Hoje, este relógio astronômico tem tantos espectadores quanto é popular entre os turistas. Os números giratórios, que giram por quatro minutos antes de cada hora, são fascinantes e me fazem olhar sempre pois me encanta além de ser o principal cartão-postal de Berna e relógio mais famoso da Suíça.

O relógio é intrincado, detalhado e preciso quando se trata de design e funções. (Os suíços sempre foram bons com isso). É possível reservar uma excursão para explorar o interior da torre. Lá, você verá a antiga tecnologia inventada para fazer com que as muitas funções dele funcionem como um relógio.

The World’s 10 Most Beautiful Clocks

7 – Parlamento

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Antes de falar do Parlamento quero mencionar uma pequena curiosidade de Berna. Além de estar cercado dos principais bancos: Banco Nacional Suíço, BEKB, UBS, Credit Suisse, Valiant, esconde ali os famosos cofres suíços!!!  Afinal um país tão pequeno (8.372 milhões habitantes) e na cidade de Berna (135.000 aproximadamente). Sempre teve uma variedade de estruturas geográficas na Suíça, uma variedade de desenvolvimentos históricos, sociais e culturais, uma variedade de agrupamentos políticos e econômicos. No qual aqui se chamam de Pluralismus (Diversidade). E os exemplos dessas diversidades são:

  • 26 Kantões (Estados)
  • Diferentes religiões
  • Classe baixa, classe média, classe alta (não parece mas tem!)
  • Além dos suíços e estrangeiros do mundo todo.
  • 4 idiomas nacionais e muitos dialetos
  • Costumes e tradições
  • Meios de comunicação e belos transportes públicos (tram, ônibus e trem para qualquer outro pais.
  • Vários partidos

O Bundeshaus é o Parlamento, o Palácio Federal da Suíça, a sede do governo suíço, que fica em Berna. O edifício foi desenhado pelo arquiteto Hans Wilhelm Auer e foi inaugurado em 1 de abril de 1902. Vejam o Post completo do Parlamento.

8 – Casa do Einstein e os museus

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um dos 4 bancos espalhados pela cidade com a estátua do Einstein

Nem todo mundo sabe que Albert Einstein morou em Berna. O apartamento que ele alugou fica no segundo andar na rua mais charmosa de Berna, a Kramgasse No. 49,  e morou entre 1903 a 1905. Foi restaurado no estilo desse período para refletir a estadia de Einstein em Berna e atualmente é aberto ao público. Custa apenas 7 francos (quem tem o SwissTravelPass é gratuita a visita! Logo abaixo tem o Café Einstein uma ótima opção para um vinho, chocolate quente ou simplesmente um café!

Depois de visitar a casa do Einstein, recomendo visitar o Museu do Eistein lá conta toda a trajetória de Eintein pela Suíça e como ele descobriu a famosa teoria da relatividade. Outro museu muito interessante é o Museu da Comunicação fica logo atras do Museu do Eistein. Esse museu é uma ótima opção para as crianças também. Para quem quer ir um pouco mais longe da cidade antiga de Berna tem também o Musem Zentrum Paul Klee. Caminhando pela cidade não perca a oportunidade de tirar uma foto em um dos bancos com a estátua do famoso físico e claro compartilhá-la no Instagram com o hashtag #einsteinselfie.

9 – Cafés, Restaurantes e Bares

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Para os amantes da gastronomia, Berna oferece vários restaurantes e cafés super bacanas, além das famosas comidas típicas suíças: “raclette” ou o “rösti” !! Do mais simples ao chique!

  1. Schwellenmaetteli restaurante, vista linda do rio AARE, as quartas feiras os amantes de salsa podem dançar!
  2. Restaurante Rosengarten – perfeito desde um simples café à um belo jantar, sem contar a vista incrível da cidade!
  3. Trandepot – cervejaria de Berna, lugar perfeito para um chopp no final do expediente, ou encontro com amigos! Fica ao lado do famoso fosso dos ursos.
  4. Kornhauskeller – é um belo exemplo de arquitetura barroca e abriga o restaurante de adegas mais luxuoso de Berna.
  5. Café-Bar Turnhalle , antigamente o prédio era uma escola e no ginasio se tornou um lugar de eventos. É bem alternativo, normalmente as quintas feiras sempre tem muito movimento.
  6. Bierhübeli – Casa de eventos ou festas eletrônicas.
  7. Kleine Schanze – Funciona apenas no verão, é uma ótima opção para um drink sentado no jardim
  8. Mr. Pickwick Pub e Nelson Bar – são pubs ingleses.
  9. Propeller club – baladinha suíça!
  10. Lötschberg Restaurant – clássico e com especialidades tradicional suíça
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Fondue maravilhoso no Lötschberg Restaurant

10 – Eventos peculiares

E para finalizar tenho que mencionar os eventos que ocorrem durante o ano, Ou seja uma cidade tão pequena e com muitas atividades. Impossível ficar parado. Eu adoro participar de todos eles!!! Agende-se para 2019!!

  1. Maratonas, para quem gosta de correr somente em Berna temos 3 opções: 1- GrandPrix Bern – A maratona de Berna, 19 de maio de 2019, 2- Frauenlauf – corrida feminina, em 16 junho 2019, 3- SantaRunBern – A Corrida Natalina, final de novembro em 30/11/2018.
  2. Carnaval, apesar se ser muuuito frio em Berna também tem desfile de carnaval. Se quiser entrar no clima, chame sua turma e vá para os restaurantes. Se aqueça e bom divertimento!
  3. Museumnacht – o museu noturno, acontecerá 22/03/2019, todos os museus abrem suas portas durante a noite, o mais legal é poder conhecer a cidade dentro de carros antigos.
  4. Festival de Musica (Gurten Festival) – de 17 a 20 de julho de 2019,
  5. Buskers Bern – Festival de musica de rua –  será 08 a 10 de agosto de 2019
  6. Show de luzes do Parlamento, acontece em novembro
  7. Zibelemärit – a Festa da Cebola, sempre a ultima segunda feira de novembro
  8. Mercado de Natal. Bom momento para beber o famoso Glühwein (vinho quente) e comer muita raclete.

E ainda tem um pouquinho mais de história…

Origem do nome Schweiz (Suíça em alemão)

O nome Suíça vem de Schwyz, um dos cantões originais (regiões) da Confederação. As letras “CH”, a designação nacional do país, significam “Confoederation Helvetica”, em latim para “Confederação Suíça”. Os primeiros habitantes da região eram tribos celtas, dos quais os helvécios eram os mais importantes. Por favor, note que o nome latino “Confoederatio Helvetica” não é mais considerado um nome oficial para o país. (info: myswitzerland)

História da bandeira

A cruz é um símbolo da história da Suíça. A origem da bandeira vermelha e branca da Suíça remonta ao século XIV e à Batalha de Laupen, no cantão de Berna, quando os soldados suíços plantam uma cruz branca em suas armaduras para se diferenciar de seus inimigos no campo de batalha.
Durante o Período Helvético (1798-1803), Napoleão Bonaparte introduziu um tricolor de verde, vermelho e amarelo, que foi adotado como a primeira bandeira nacional suíça. No entanto, quando a república Helvética acabou, o tricolor também estava.
Uma nova bandeira oficial da Confederação Suíça foi introduzida em 1840. Em 1848, foi escolhida como a bandeira nacional e incluída na Constituição Suíça, e é a que conhecemos hoje.
Há muito debate sobre por que a cor vermelha (cuja cor é muito precisa, correspondente a Panton 485C) foi escolhida como pano de fundo: alguns historiadores estão convencidos de que ela simbolizava o sangue de Cristo; outros pensam que foi tirado da velha bandeira de Berna.
O que é peculiar sobre a bandeira suíça é que ela pode ser distinguida de todas as outras bandeiras nacionais. Na verdade, a bandeira não é um retângulo, mas um quadrado, pois é baseado em uma bandeira de guerra. Há apenas um outro estado soberano para ter uma bandeira quadrada: o Vaticano.
A cruz está situada no centro da bandeira. Seus braços são de igual comprimento, mas sua largura é diferente: os braços horizontais são um sexto mais largos que os verticais.

Idiomas, culturas e religiões

Na Suíça, existem quatro línguas nacionais: o alemão, falado por 63,3%; Francês, falado por 22,7%; Italiano, falado por 8,1%; e Romanche, falado por 0,5% da população (números de 2014). 20,9% da população fala outras línguas (NB: o total é superior a 100%, pois algumas pessoas têm mais de uma língua materna).

Cada uma das três regiões lingüísticas tem uma cultura diferente, com várias influências vindas da língua da região. No entanto, existem algumas características comuns: os suíços são simpáticos, educados e um pouco reservados. A pontualidade é considerada importante em situações sociais e empresariais. Certifique-se de dizer olá, por favor, obrigado e adeus ao entrar e sair de pequenas lojas ou escritórios. Se você for convidado para ir a casa de algum suíço, seja para um jantar ou um café, os visitantes costumam trazer flores, doces ou uma garrafa de vinho.

O mapa a seguir mostra a Suíça dividida em suas regiões de idioma:
Amarelo: cantões de língua alemã
Verde: cantões francófonos
Azul: cantão de língua italiana
Vermelho: cantões bilingues (alemão e francês)
Roxo: cantão trilingue (alemão, italiano, romanche)

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Mapa da Suíça – foto: myswitzerland

Religião

A maioria das pessoas que vivem na Suíça é cristã. Aprox. 38% são católicos romanos e 27% protestantes (números de 2015). Há também muitas outras religiões representadas na Suíça: 5% muçulmanos, 0,5% budistas, 0,3% judeus. O número de pessoas sem afiliação religiosa aumentou significativamente nos últimos anos (21,4%).

Sustentabilidade: Suíça – Nação de recicladores

Os cidadãos suíços são campeões quando se trata de reciclagem – por exemplo, 96% do vidro velho, 91% do papel e 82% dos recipientes PET chegam aos pontos de coleta especiais, em vez dos recipientes domésticos. Em média, cada habitante suíço coleta anualmente 391 kg de materiais recicláveis (dados de 2014).

Recipientes de reciclagem estão disponíveis nas ruas e locais públicos, especialmente em estações de trem, aeroportos e supermercados. É fácil, então, dar uma contribuição ao meio ambiente: reciclar durante a sua viagem!

Sustentabilidade: água potável

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A água potável suíça é um produto de qualidade proveniente de recursos naturais: 80% são provenientes de fontes naturais e subterrâneas e o restante de lagos. Regulamentos rigorosos relativos à água e sua qualidade levaram a um desenvolvimento tão positivo que você pode beber direto da torneira em quase toda parte sem pensar duas vezes! A água da torneira suíça também demonstra uma ecologia mais equilibrada em oposição à água comprada em garrafas e águas minerais que viajam de perto e de longe. Pode trazer sua garrafinha e encher em qualquer uma das belas fontes pela cidade.

Bônus: o charmoso dialeto de Berna!

Se esta lista fosse estendida para mais coisas que tornam Berna especial, o dialeto bernês seria mais um acréscimo. Para sentir a melodia do dialeto, confira este videoclipe da banda local Lo & Leduc, com a música 079,  que fez maior sucesso na Suíça em 2018!

 

Quer fazer um tour guiado em Berna comigo?? Me mande um e-mail: asviagensdare@gmail.com.  Vou adorar recebê-los e mostrar essa cidade incrível!

Qual é o seu lugar favorito em Berna? Compartilhe aqui sua foto! 🙂

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O Parlamento Suíço – Bundeshaus

O Palácio Federal, sede do parlamento e do governo suíço, é considerado um dos edifícios mais importantes da Suíça. Para quem gosta de política e quer saber como funciona o Governo Suíço, esta aqui um super Post. Senta que lá vem textão!

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A Curia Confederationis Helveticae, esse é o nome em latin, alemão: Bundeshaus, francês: Palais fédéral, italiano: Palazzo federal, ou seja, é o edifício do Parlamento da Confederação Suíça. Foi construído entre os anos de 1894 e 1902. O arquiteto responsável foi Hans Wilhelm Auer, natural de St. Gallen e envolveu a participação de 173 empresas e 38 artistas suíços. Os materiais utilizados na construção provém 95% da Suíça e simbolizam, assim, a diversidade do país e do seu povo.

A intenção do arquiteto na concepção do edifício do Parlamento era replicar, no sentido figurativo, toda a Suíça. Ele elaborou um plano de imagens e imagens simbólicas que abrange três grandes temas: a história da nação baseada em mitos fundamentais, os fundamentos constitucionais e as virtudes gerais do estado e a diversidade cultural, política, geográfica e econômica da Suíça.

A fachada norte do edifício do Parlamento vista de frente encontram-se três estátuas da autoria do escultor do cantão de Vaud, Rodo de Niederhäusern, que simbolizam a independência política (ao meio), o poder executivo (à esquerda) e o poder legislativo (à direita). Os grifos, da autoria do artista plástico ticinense Anselmo Laurenti, representam a força (à direita) e a inteligência (à esquerda). As pedras de remate sobre as portas (de autoria de Maurice Hippolyte Reymond de Genebra) simbolizam a coragem, a sabedoria e a força. Nos nichos encontram-se duas alegorias do artista de Genebra, James André Vibert: à esquerda, a liberdade, representada por uma corrente rompida, e à direita, a paz, com uma espada na sua bainha. AS duas figuras de bronze de Maurice Hippolyte Reymond lembram que a história se escreve tanto no passado (à esquerda) como no presente (à direita).

A sala da cúpula por dentro do edifício do Parlamento é um verdadeiro monumento nacional. A sala da cúpula tem a forma de uma cruz (da cruz suíça). A escadaria da entrada principal conduz ao grupo de estátuas dos Três Confederados da autoria de James André Vibert (Genebra). Os três Confederados, Walther Fürst do cantão de Uri, Werner Staufacher do cantão de Schwyz e Arnold von Melchtal do cantão de Unterwalden personificam o juramento do Rütli de 1291 e o grupo de estátuas pesa, no seu conjunto 24 toneladas.

A história da Suíça propriamente dita começa dia 1 de agosto de 1291, com os habitantes de Uri, Schwyz e Unterwalden e uniram-se para manter a paz e para poder defender melhor suas liberdades contra possíveis invasões de fora, contra os Habsburgos da Austria, através da Bundesbrief (Carta de Aliança). A união destes três cantões era denominado Waldstätte. (fonte Wikipedia). A importância se deu porque foi a partir daí que houve uma aliança e o começo da formação do estado helvético tal como ele é hoje.

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Entrada principal com os Três Confederados e os Quatros soldados rasos.

Os quatros soldados rasos, que se encontram em pilares da escada, representam os guardas de honra dos “Três Confederados”. Os soldados rasos representam as quatro partes do país bem como as quatros regiões linguísticas: à frente à esquerda (vista do ângulo da entrada principal) encontra-se a parte alemã da Suiça (63, 5%), à esquerda, a parte francesa, a Romandia (20, 4%), atràs à esquerda, vemos a Suíça romance (0,5%), e atrás à direita, a parte italiana do país (6,5%). Não existe, todavia, nenhuma representação das outras línguas que são faladas por cidadãos de origem estrangeira (9%).

As quatro grandes janelas em arco, logo abaixo da cúpula, representam nos vitrais pintados por quatro artistas suíços as quatro atividades econômicas ou indústrias principais da Suíça no ano de 1902. A leste temos a pintura representando a indústria têxtil na região do lago de Zurique; a norte, nas margens do rio Reno, temos o comércio e os transportes do cantão de Vaud; a oeste temos a indústria metalúrgica nas colinas do Jura e ao sul temos a agricultura junto ao maciço do Jungfrau nos Alpes Bernenses.

No zênite da cúpula de vidro encontra-se um mosaico com a Cruz Suíça do atelier do artista inglês do cantão de Neuchatel, Clement Heaton. A inscrição em latim “Unus pro omnibus – Omnes pro uno – (um por todos e todos por um) é o lema do sistema político aqui representado. As duas imagens femininas são gênios da liberdade. Os 22 brasões dos cantões da Suíça foram criados por Albert Lüthi (de Zurique) em 1902 e estão dispostos em vitrais ao redor do mosaico. As armas do cantão do Jura, que foi fundado apenas em 1978, têm o seu lugar no arco, acima dos três Confederados.

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Um por todos e todos por um! e os 22 brasões dos cantões.

O Parlamento suíço é composto por duas câmaras dotadas com as mesmas competências: O Conselho de Estado (Ständerat) composto por 46 deputados, que são 2 representantes por cantão, 1 representante por cada antigo meio-cantão) e o Conselho Nacional (Nationalrat), composto por 200 membros, que representa o povo suíço (proporcionalmente ao número de habitantes dos cantões). O Conselho de Estado e o Conselho Nacional são eleitos pelo povo para um mandato de quatro anos (legislatura). É aí que as leis da Suíça são elaboradas, apesar de, na Suíça, o povo ter a palavra final como soberano supremo (referendo, iniciativas).

A Sala do Conselho de Estado: o fresco de Albert Welti, de Zurique, e de Wilhelm Balmer, de Basileia, representa uma comunidade rural (Landsgemeinde) no cantão de Nidwalden no século XVIII. A comunidade rural é a forma original da democracia direta suíça, uma votação a céu aberto, que existe até hoje nos cantões de Appenzell Innerhodel e Glarus. Os dois artistas plásticos retrataram nesta cena rostos de habitantes dos cantões de Obwalden e Nidwalden, integrando o mais tarde no fresco aqui em Berna. O enorme lustre em ferro forjado de Ludwig Schnyder von Wartensee de Lucerna abriga 208 lâmpadas e tem um peso de 1,5 toneladas. Este lustre funcionou com eletricidade desde a sua instalação  (1902), tendo sido praticamente um dos primeiros modelos elétricos e uma modernidade para a época. As três grandes janelas em arco estão decoradas com cortinas confeccionadas com renda de St. Gallen. Os anos em ouro nos tímpanos dos arcos servem para relembrar acontecimentos importantes da história da constituição suíça. Ao lado das portas que conduzem ao camarote de honra encontra-se uma lista cronológica destes acontecimentos.

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Sala do Conselho de Estado (Standerat) e o enorme lustre em ferro forjado

Em contraste com a maioria dos outros países com um sistema bicameral, ambas as câmaras estão alojadas sob o mesmo teto.

O Governo suíço é composto por sete Conselheiros Federais, representando vários partidos políticos. Esta coligação exige um grande compromisso e respeito recíprocos, mas também garante a estabilidade política da Suíça. Os membros do Conselho Federal não estão submetidos a nenhuma hierarquia entre si. Cada um é responsável por um departamento (ministério). Os Conselheiros Federais são eleitos pela Assembleia Federal (ambas as câmaras) para um mandado de quatro anos. Todos os anos, no mês de dezembro, ocorre a eleição de um Conselheiro que virá a ocupar o cargo de Presidente Federal nos próximos doze meses. Este preside, como “primus inter pares” (primeiro entre iguais) as reuniões semanais do governo e assume a representação oficial do país em eventos no país e estrangeiro.

Sala do Conselho Nacional: o quadro do artista de Genebra, Charles Giron, oferece uma vista do Lago dos Quatro Cantões mostrando o “berço da confederação” o Rütli, um prado em primeiro plano na parte inferior do quadro. Foi neste prado que os três Confederados se encontraram em 1291 e, sob juramento, fundaram a Suíça. Em segundo plano do quadro, encontram-se ambos os Picos Mythen e a povoação de Schwyz. Na nuvem branca sobre o lago encontra-se o Anjo da Paz, segurando um ramo de oliveira dourado. No nicho à esquerda do quadro encontra-se o herói nacional Guilherme Tell, símbolo da liberdade política e da ação, aqui da autoria do ticinense Antonio Chiattone. No nicho à direita do quadro e da autoria do seu irmão Giuseppe, está representada Gertrud Stauffacher, o símbolo da boa ideia. Acredita-se que tenha sido ela a sugerir que as aldeias dos vales de Uri, Schwyz e Unterwalden viessem a unir-se numa aliança. Gertrud era a esposa de um dos três Confederados. Sobre a pintura há uma borda que decora toda a sala e representa 59 armas dos municípios mais importantes da Suíça por volta de 1902. Assim, fica também representado o aspeto político dos municípios.

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Sala do Conselho Nacional permitida para 200 membros

A sala do Conselho Nacional acolhe igualmente as reuniões da Assembleia Federal (ambas as câmaras), da comissão eleitoral para eleger o governo (o Conselho Federal), os juízes federais, o chanceler federal e – em caso de guerra –  o general. Na parede traseira da sala encontram-se 44 cadeiras reservadas aos conselheiros de estado, cada qual sob as armas do seu cantão. Os encostos destas cadeiras foram concebidos pelo alemão Ferdinand Huttenlocher e estão ornamentados de forma artística com entalhes de flores e animais locais. Para acolher os conselheiros do cantão de Jura, criou-se um lugar no ano de 1978 sob as tribunas dos diplomatas, na parte oeste da sala. Sobre as duas cadeiras, encontra-se o relevo em bronze “O Despertar de um Povo” da autoria de Camillo Huber do cantão de Solothurn.

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Renata para presidente! 🙂 Quem vota sim?

A Sala dos Passos Perdidos mede 44 m de comprimento e, com sua forma em arco, deixa a impressão de ser mais longa. Nesta sala, os membros dos conselhos discutem e reúnem-se durante as sessões, dão entrevistas e recebem também os lobistas e visitantes do público. Além disto, esta sala tem finalidades representativas; assim, por exemplo, é aí que ocorrem as recepções oficiais do Conselho Federal e a recepção oficial do Ano Novo dos Presidentes da Confederação. As pinturas do teto são obra do artista ticinense Antonio Barzaghicataneo. Na fileira central dos medalhões de teto principal do estado: a verdade, a sabedoria o patriotismo, a prosperidade, a caridade e a justiça.

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Pintura da justiça na Sala dos Passos Perdidos

As pinturas da parte interior e exterior representam os setores mais importantes do comércio e da indústria daquela época, bem como as atividades pelas quais o nosso país era conhecido em 1902. Na parte interior: o ofício de ferreiro, a confecção de calçado, o turismo a panificação e a contrição civil; na parte exterior: as ciências naturais, a arte, a educação, a agricultura e a indústria relojoeiro e de jóias.

As visitas são de graça e acontecem quando os políticos não estão em sessão obviamente, e em dias alternados, nos idiomas alemão, francês e inglês, mais detalhes também no próprio site do Parlamento. A busca é grande, então vale a pena se informar de antemão e se preciso, agendar com antecedência, pois os grupos não são grandes.

Por coincidência essa semana acabei indo duas vezes na mesma semana ao parlamento, a primeira foi com a turma da escola onde estou estudando, o tema agora é política então o Parlamento não podia ficar de fora e o segundo tour foi organizado pela Deborah Biermann, uma tradutora e intérprete aqui de Berna, que é responsável pelo Brasil Infos, uma plataforma informativa com forum e dicas interessantes para a comunidade Brasileira. Então o tour dura 1 hora e o que eu fui era com a guia do próprio Parlamento que foi dessa vez em Português, o que foi sensacional.

Gostaria de deixar também aqui nesse Post essa foto que fiz e que acabou sendo selecionada entre as 100 melhores fotos de Berna de 2017 no site de Turismo de Berna, e saiu também no jornal suíço online 20min.ch

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Quer uma visita guiada? Mande-me um e-mail para: renataphotos10@gmail.com

Se você sabe mais alguma curiosidade da Suiça deixe aqui seu comentário. Dúvidas e mais perguntas tentarei responder. Em breve mais sobre o que visitar em Berna. 😉

Para quem quiser tem também esse vídeo que tem no site do próprio parlamento.